Doctor Perkins and Mister Bates

 

 

 

Anthony Perkins (4/04/1932) tinha uma saúde mental tão frágil quanto a do psicótico Norman Bates que interpretou, aos 28 anos, em Psicose, de Alfred Hitchcock. O ator não era tão louco quanto seu personagem, que matou e embalsamou a mãe e, em seguida, trancou-a no sotão - mas quase. Tudo começou na infância. Logo aos 5 anos, o pai, o também ator Osgood  Perkins, morreu. Caiu então nas garras de uma mãe possessiva, que o marcou para sempre. "...Minha mãe me transformou no único motivo pelo qual vivia e se tornou a única mulher possível na minha vida. Diante das outras mulheres, sentia verdadeiro horror e simplesmente fugia", diria o ator nos anos 80. Ou seja: Anthony Perkins era vítima do mais absoluto complexo de Édipo. Amando as mulheres, mas não conseguindo se relacionar sexualmente com elas, restou uma saída: o homossexualismo, em que mergulhou profundamente.

Desse coquetel psicológicamente explosivo resultou um homem amargurado, eternamente em crise. E, antes que o personagem Mr. Bates o dominasse inteiramente, resolveu tomar providências. Aos 32 anos procurou ajuda psiquiátrica. O tratamento não foi exatamente um fracasso. Anthony Perkins, aos 39 anos, conseguiu superar, não para sempre, o medo que tinha das mulheres e teve a primeira relação heterossexual. A parceira chamava-se Victória Principal, que se tornou conhecida depois, por partícipar do seriado Dallas. Dois anos depois, o ator se casou com Berinthia Berenson (irmã da atriz Marisa Berenson), com quem teve dois filhos: Osgood e Elvis.

O casamento foi bem até certo ponto. No começo dos anos 80, Perkins voltou a assumir uma conduta homossexual e em 1984 ganhou manchetes, quando foi preso no Aeroporto de Londres, por transportar LSD e maconha. Os fracassos de Psicose II (1983) e Psicose III (1986, em que também atuava como diretor) o fizeram mergulhar mais fundo ainda numa violenta crise depressiva. Para dar um tom ainda mais trágico à sua biográfia, adoeceu, emagrecendo assustadoramente. Os jornais não demoraram muito para  informar: o ator tinha Aids, estavam certos. Anthony Perkins morreu em 1992, mas o psicótico Norman Bates continua vivo na memória de muitos fãs da sétima arte e no clássico "Psicose" do mestre do suspence.

 

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